Psicologia Educacional

    A Psicologia Educacional assume uma importância muito grande nos nossos dias, designadamente nas sociedades ocidentais, dado o papel que a escola e a educação ocupam, ao longo da vida, na vida social e individual. Esta é uma área da Psicologia Aplicada que aborda todas as problemáticas referentes à educação, aos processos de ensino e à aprendizagem nas crianças e nos adultos. Cruza-se assim frequentemente com a Psicologia de Desenvolvimento, que procura compreender o que se desenvolve e o modo como tal acontece, desde a sua conceção até à morte.

    A Psicologia Educacional procura respostas para questões tais como, “Quais os mecanismos de aprendizagem promotores de desenvolvimento?”, “Quais as metodologias educacionais mais eficazes?” e “Qual o contexto escolar mais eficiente?” A sua abrangente consideração estende-se da especificidade do indivíduo até à política institucional por ele frequentada.

    O psicólogo desta área dedica-se prioritariamente à avaliação e ao diagnóstico de dificuldades de aprendizagem/necessidades educativas especiais, desenvolvendo e aplicando estratégias de reeducação e intervenção psicopedagógicas adaptadas às problemáticas individuais. Estes intervêm a nível individual, de grupo, institucional ou comunitário. Podem estar presentes em instituições como creches, jardins-de-infância, instituições de reeducação, internatos, universidades, entre outros.

A par da intervenção individualizada com o aluno e a família, frequentemente o psicólogo educacional articula com outros técnicos intervenientes no processo académico, nomeadamente educadores e docentes. Ou seja, interessa-se com a forma como os alunos aprendem e se desenvolvem, por vezes em subgrupos particulares como crianças com determinada deficiência.

    O psicólogo educacional tem um campo de intervenção bastante amplo, uma vez que estes podem também dedicar-se, por exemplo, a definir critérios a que deve obedecer a formação de professores, a estabelecer, de acordo com princípios fundamentais do desenvolvimento cognitivo, o momento em que no processo educativo são possíveis determinadas aprendizagens, a avaliar e desenvolver currículos, materiais e métodos do processo ensino-aprendizagem, a determinar o efeito dos educadores no comportamento dos educados e ainda, elaborar programas e métodos que formem e aconselhem professores e pais no auxílio a crianças com problemas emocionais e de aprendizagem. Assim, numa perspetiva educacional e não terapêutica, o psicólogo educacional pode aconselhar os membros da comunidade educativa no que diz respeito a problemas e distúrbios comportamentais de pessoas direta ou indiretamente envolvidas na vida da escola.

 

    Jean Piaget foi um psicólogo educacional que deu uma contribuição muito significativa para a compreensão do desenvolvimento mental enquanto processo de interação, como podemos ver em https://www.youtube.com/watch?v=n0UZT1UCzec. Através de um longo estudo intensivo de crianças, durante longos períodos de tempo – um penoso processo de observações quase infindáveis – Piaget começou a delinear o inexplorado território da mente humana e a produzir um mapa dos estádios de desenvolvimento cognitivo. Piaget propôs, antes de mais, que o desenvolvimento cognitivo se processa em estados de desenvolvimento, o que significa que tanto a natureza como a forma da inteligência mudam profundamente ao longo do tempo. Os estádios de desenvolvimento diferem marcadamente uns dos outros e o conteúdo de cada estádio consiste num sistema fechado que determina a forma como compreendemos e damos sentido às experiências (particularmente à experiência de aprender com alguém).

    Deste modo se pretendermos proporcionar experiências que alimentem e facilitem o desenvolvimento, temos de ter em consideração o sistema intelectual que a criança utiliza num dado momento. O trabalho de Piaget delimitou vários sistemas cognitivos que as crianças usam em diferentes períodos das suas vidas.

    A teoria de Piaget identifica essencialmente quatro estádios de desenvolvimento e um conjunto de processos através dos quais as crianças progridem de um estádio para outro. Esses estádios são:

    • Estádio Sensório-Motor (do nascimento aos 2 anos) – a criança, através de uma interação física com o seu meio, constrói um conjunto de “esquemas de ação” que lhe permitem compreender a realidade e a forma como esta funciona. A criança desenvolve o conceito de permanência do objeto, constrói alguns esquemas sensório motores coordenados e é capaz de fazer imitações genuínas (adquirindo representações mentais cada vez mais complexas);

    • Estádio Pré-Operatório (2 – 6 anos) – a criança é competente ao nível do pensamento representativo mas carece de operações mentais que ordenem e organizem esse pensamento. Sendo egocêntrica e com um pensamento não reversível, a criança não é ainda capaz, por exemplo, de conservar o número e a quantidade;

    • Operações Concretas (7 – 11 anos) – à medida que a experiência física e concreta se vai acumulando, a criança começa a conceptualizar, criando “estruturas lógicas” para a explicação das suas experiências mas ainda sem abstração;

    • Operações Formais (11- 15 anos) – Como resultado da estruturação progressiva do estádio anterior a criança atinge o raciocínio abstrato, conceptual, conseguindo ter em conta as hipóteses possíveis e sendo capaz de pensar cientificamente.

    Através do vídeo https://www.youtube.com/watch?v=TSNWlBqbvTE, podemos ouvir como Piaget, com a tua teoria, foi tão importante para a psicologia educacional.

    Jean Piaget foi alvo de diversas críticas referentes à sua teoria. Estas crítitcas ocorreram a nível da metadologia nas pesquisas, pois as suas teorias são demasiado complexas e requerem elevados níveis de aptidões verbais, sendo, também, as entrevistas clínicas de natureza subjetiva. Piaget subestimou a importância do conhecimento, não deu o valor suficiente às capacidades das crianças e o impacto da cultura, uma vez que a escolaridade e a literacia, a capacidade de cada indivíduo compreender e usar a informação escrita contida em vários materiais impressos, de modo a atingir os seus objetivos, a desenvolver os seus próprios conhecimentos e potencialidades e a participar ativamente na sociedade, afetam os níveis de conhecimento e o pensamento formal não é, de modo algum, universal.